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A DEMOCRATIZAÇÃO DOS ESPORTES VIRTUALIZADOS

Vivemos em um novo normal, aquele que foi apenas antecipado em algo que aconteceria de alguma forma ou outra.


Em um mundo cada vez mais conectado, onde o público global muda rapidamente seus hábitos de consumo, o esporte também terá que se adaptar a estas mudanças.


O grande dilema, até então, seria como introduzir os esportes eletrônicos aos esportes considerados convencionais, mas isto caiu por terra, uma vez que a tecnologia nos permite hoje simular a realidade de forma aumentada com o mesmo esforço físico dos esportes outdoor.


Como atleta amador de triathlon desde 1994, árbitro internacional de triathlon, árbitro estadual de ciclismo de estrada e produtor de eventos esportivos, pude acompanhar muito a evolução de alguns esportes junto a esta nova era tecnológica, mas em especial o ciclismo.


Sem dúvida alguma o ciclismo é a modalidade mais democrática para a inserção dos esportes virtualizados, ou esportes eletrônicos, no cenário Olímpico, demonstrando que o ser humano e a máquina podem interagir, sem perder sua essência e seus valores.

No último dia 22 de abril de 2021, foi anunciado pelo Comitê Olímpico Internacional a realização do Olympic Virtual Series, uma série de competições virtualizadas que englobam Ciclismo, Remo, Automobilismo, Regata e Beisebol como o intuito de encorajar o desenvolvimento de formas esportivas físicas e não físicas alinhadas às recomendações da Agenda Olímpica 2020+5.


Mas como podemos dizer que se trata de uma democratização das modalidades?


Vamos olhar pela perspectiva organizacional e operacional; hoje o modelo de seletivas de competições necessita do deslocamento de atletas para os locais de competições, logísticas de transporte, hospedagem, dentre outros, elevando os custos para tais ações, então por que não reduzir estes custos tendo um efeito até maior de público espectador através de plataformas de streaming?


Vide o exemplo do 1º Campeonato Mundial de Ciclismo Virtual realizado pela UCI em 2020; todos os atletas em suas residências, utilizando o mesmo equipamento e software de competição, sendo transmitidos em tempo real e com um público, até o momento de 98.546 visualizações no Youtube.


No Brasil, o Campeonato Brasileiro de Ciclismo Virtual – Etapa Brasília 2021, que contou com o 1º percurso em realidade aumentada da América Latina, teve um público espectador de mais de 4.500 espectadores através do Youtube e Instagram simultâneos, tendo o mesmo formato onde os atletas não necessitaram se deslocar para competir.


Quando falamos de processo classificatório para competições, porque não irmos além, e desta vez utilizarei o Triathlon como modelo; suponha que um atleta precise fazer uma classificatória por tempo, sendo 750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida. A pergunta é: Será por tempo independente da altimetria do percurso ou com uma altimetria pré-determinada?


Antigamente sim, poderíamos argumentar que não seria justo atletas em locais diferentes efetuarem uma seletiva neste formato, pois a altimetria e locais para a tomada de tempo seriam divergentes, mas não mais...pois hoje isto tudo pode ser feito dentro de uma academia, mas como? Simples...uma piscina, um rolo de treinamento com software e percurso determinado e até mesmo uma esteira interligada que simula toda a altimetria também; claro que utilizando comprovação de vídeo e até mesmo uma operação local integrada com as federações esportivas para validação dos resultados.


E o que falar sobre eventos híbridos?


Porque não realizar uma prova de Grand Fondo de Ciclismo simultaneamente presencial e com o mesmo percurso virtualizado para atletas que não puderem se deslocar? Claro com premiações em “categorias” diferentes, mas é possível sim que o data da competição, horário de largada e percurso sejam os mesmos.


Ainda teremos muito a evoluir e quebrar paradigmas e mitos sobre os esportes eletrônicos, especialmente aquele que envolvem esportes tradicionais integrados com o ecossistema virtual, mas estamos em um caminho sem retorno, onde as modalidades físicas e não físicas serão complementares.


Schubert Abreu

Diretor de Esportes Virtualizados – Wesco

Diretor Técnico Ciclismo Virtual Brasileiro

Fã da Marvel/DC e aprendiz de JEDI